terça-feira, 6 de maio de 2008

Um drink, por favor!

Agora anda, passa, porque a fila anda pra todos os lados. E olhe que eu andava muito bem, obrigado, antes mesmo de você chegar. Não entendo alguns detalhes dessa sua personalidade excêntrica, mas se for só isso o que eu sinto, está ótimo, tenho olhinhos de gatinho recém-nascido. E olhe que Eu até que pensei em fugir com uma filha-duma-puta, sair correndo do altar e ir para um abraço no mundo.

Nem adianta me ligar, todo manso, como cão depois que morde o dono. Merdas cagadas ao cú não voltam jamais; e não pense que seu ânus é como o fotolog.

As vezes sou sensível demais e uma pequena palavra pode soar como uma bala inteira na cabeça. Mas, danem-se esses terremotos e esse novo toque polifônico chatinho do meu celular aqui do lado. Nem posso imaginar qual desespero que te leva nessa insistência em querer me falar. Eu te entendo, porra! Preciso gritar assim pra você entender que nada vai te tirar de dentro de mim?! E se eu te disser que as janelinhas dessa carcaça vulgar estão abertas, não lhe seria estranho? Sim, estranho. E aos olhos de quem não conseguiu se distrair, é difícil alcançar uma mosca que passou voando aqui e me deu aquela agonia fininha, e um ódio medonho de uma coisa tão chata e insignificante que se eu pudesse, jogava uma porra de uma bomba atômica nesta desgraça!

Pois bem, meu amor é fatal, de um veneno suave e apimentado, que queima os lábios e desidrata a alma, mas como eu não sou um anjinho com uma cara de idiota cuspindo água pela boca numa fonte ridícula, bato as asas e bye bye neném. E não me venha com ‘porquês?’ que, dificilmente, você vai me entender.

Um punhado de gosma verde, uma pitada de pó de coração, duas xícaras de sonhos inúteis, uma colher de chá daquela pasta de carinho e uma de caminhada-na-beira-da-praia, dois litros de uma noite de sexo parte II, mexe bastante até ficar aquela coisa escabrosa e grudenta, unta uma panela com aquela farinha especial que mamãe trouxe da Colômbia e voilà, meia hora depois sái alguma coisa parecida com nós dois. Não gostou da receita? Então dá aquele CTRL+P, limpa a bunda e joga no vaso.

E, se na hora do desespero você vier me chamar, não sei se eu te atendo não, viu! Ah! Tá bom, eu atendo, mas só porque não sou como você.

Vou te segurar com força pelos braços e te olhar nos olhos, porque gosto de olhar nos olhos e navegar em almas alheias; não estou nem-aí para o Presidente da República porque aquele gnomo miserável com nove dedos não está nem aí para-mim-tam-bém. E pronto, enojei disso tudo aqui, vou dar-lhe um chute nos ovos pra ver se ele, no seu terceiro reinado, não deixa nossos vizinhos nos chutarem a bunda de novo.

Eita, sente só, no rádio começou a tocar aquela musica idiota que você adora e que você sempre faz questão de aumentar o som do carro e dançar – mesmo sentada, quando ela começa a tocar. Eu seria capaz de cortar os cabos de ligação na esquina anterior antes de ir te buscar em casa. Parece sinistro, não? Pois é, mas eu não faria isso mesmo com você, é que adoro aquele poperot no seu ritmo. Mas acho que agora você não me entendeu em nada mesmo.

Áaaaaai! Pu-ta mer-da! e o lance é esse mesmo e se você não quiser, fala logo! Mas depois não volte atrás, porque eu também não vou resistir. E se você pensa que só porque eu te acho um mosquitinho na bunda da vaca (e por isso mesmo aquela agonia frenética que a faz balançar o rabo o dia inteiro) eu vou deixar você mamar nas minhas tetinhas, pode tirar o seu par de asas da chuva ou então vou te dar uma cagada feroz, então aproveita porque a chuva ainda não começou e aquela diarréia miserável que está me dissolvendo há dois meses não bateu ainda hoje.

E só porque tenho vários amores, simultaneamente e em harmonia, aí você pensa que eu não bato uma pra você. Não, não é tão embaraçoso lidar com isso quanto você pensa, e o seu espaço na varanda já está garantido, porra! Sendo que o que tenho a receber é só uma infinita parte do que eu realmente necessito; e é assim porque aqui dentro tudo soa diferente, as batidas, o ritmo, o eu; eu já sinto a diferença desde o dia que aquela maçã caiu na minha cabeça. Temos tanto em comum e ainda assim tão diferentes. E um não quer compromisso; o outro, nada disso.

Por favor! Por favor! Por favor! Não me tente hoje, seu boneco está precisando de um pouco de ar para se manter em pé, tenho certeza que lhe sou mais útil quando estou inflado. E, sabe? Já não estou nem aqui há muito tempo. Esses conceitinhos medíocres e ultrapassados numa contramão fudida em pleno meio-dia de uma segunda feira na marginal Fernandes Lima. Bem, você certamente não faz idéia de quantas horas de vídeo já deu pra editar aqui na minha cabecinha de melão, mas não só porque você consegue ser esse ser armado – com duas quarenta e cinco embainhadas na cintura, se revirando na cama como uma louca e, de cabeça baixa, olhar predador, me pede que eu te sirva um drink bem gelado, mas só o drink mesmo, porque as cerejas você já têm; é que lhe tenho muito prazer. Estranho isso, porque é só um pequeno trailer e o lançamento da mega-produção será às 17hs, no dia do meu funeral. Não. Não espere que eu te mande um convite. Mas aparece por lá, o Buffet deve ser ótimo, e pelo menos alguma coisa você vai ter pra comer por lá.
Agora olhe bem; mas presta atenção mesmo. É; aqui, bem dentro dos meus olhinhos. Não, meu bem, é do outro lado e um pouco mais pra cima. Porque tudo é muito confuso e tudo pode soar diferente se você inventar de peidar nesse momento fudido justamente agora que eu queria realmente te dizer alguma coisa que lhe possa ser útil pelos próximos cinco minutos dessa sua vida canalha e cheia de aventuras.

É que só porque eu sou doente você me julga diferente; e se eu for, por acaso, a forma mais desprovida dessa essência humana rídicula e degradante? Sinceramente!? Eu acho até que você gosta disso! Eu não sou nada disso, não! Mas não inventa de me ligar depois da meia-noite numa sexta-feira quando eu estiver quase acordado usufruindo daquele bode mortal na minha cama com todas as luzes da casa apagadas ouvindo o som dos carros passarem na rua.

Hoje vou aparecer off-line o dia inteiro porque eu estou numa ressaca miserável até na cabeça dos dedos porque tem uns dois meses que eu não bebo nada que não contenha um teor alcoólico um pouco mais elevado, e, certamente a culpa não é do garçom! Quero um beijo com mel, o quarto dos fundos e uma cama que é pra gente se abraçar e ficar de bobeira o resto do inverno ali deitados ouvindo os pinguinhos da chuva tilintando nas telhas de barro colocadas uma a uma ali só pra gente poder ficar zen. Aliás, esquece toda essa merda e vai cultivar fungos no teu quintal porque tem gente que quer comprar; e o playboy idiota que você tanto diz amar está fudido porque o chamaram para participar do ‘miss quinta categoria’ e ele tem uma grande chance de levar o maior prêmio da televisão brasileira e você continua fingindo ser mais forte do que ele realmente sabe que você é, e por isso eu seria capaz de te desejar uma morte sinistra, meio que assim, te apagando do juízo.

Íu, sái fora, nem vai pensando que ganhou um espaço muito maior que o meu nariz empinado pode alcançar, porque eu também só posso tentar me aproximar pela metade de um olhar quarenta e três flambado na vodka, e depois ainda ter coragem para lhes dizer não depois de uma surra a três sob a luz de velas.

Então, quer saber? Vou ligar meu som, encher um copo de whisky - sem gelo, ficar nu, sentar, colocar os pés para cima e deixar os ovos balançarem, sintonizar aquele Pink Floyd no ‘vol. 60’ e vou tentar te esquecer comendo ameixa na minha varanda numa segunda-feira fudida depois de ter feito amor com você o fim de semana inteiro. Ah! Por sinal, depois você me explica que porra é essa expressão ‘fazer amor’. Porque meus pais me disseram, antes de eu sair de casa, que o amor, essa coisa quase extraterrestre, tão incerto e desconhecido tanto quanto quem é Deus, brota numas cachoeiras que nascem lá no alto dos Andes, em meio ao frio e nuvens e neve. É. Inclusive eles me disseram que lá tem um anjinho daqueles de pedra bem pequenos, bem idiotas e gordinhos que cospem esse tal de amor numa poça que transborda montanha abaixo; e nem se iluda, porque ele evapora antes de desaguar no lago que corre aqui atrás de casa.

Bem… voltamos a nossa programação normal.

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